Story by Isabel Maria . geral@portugalfazbem.pt

Privacidade e conforto nos braços da montanha, em ambiente rural e no coração da Beira Baixa.

A beleza de Alpedrinha e as suas características de refúgio foram, desde tempos longínquos, um motivo para que a Vila fosse eleita o local de descanso e férias das famílias nobres da região. A Quinta do Anjo da Guarda data desses tempos de outrora e apresenta-se na sua 3ª geração, com uma nova proposta turística. Conversámos com Luis Sá Pereira, o seu actual gestor e impulsionador de novas dinâmicas.

Sabemos que esteve a trabalhar no Brasil por um tempo. Quando e porquê tomou a decisão de regressar e mudar de Lisboa para a Vila de Alpedrinha?

Estive realmente um período da minha vida em Angra dos Reis - RJ, mas por razões familiares havia a necessidade de regressar a Portugal. Aconteceu que em simultâneo a Quinta do Anjo da Guarda estava para ser arrendada, tendo eu proposto ao meu pai, actual proprietário, desenvolver um projecto turístico nessa Quinta.

Quando chegou, qual era a ideia main streem para a Piscina de Alpedrinha e Quinta do Anjo da Guarda?
Desenvolver o empreendimento para uma aposta no Turismo de Natureza, Carbono Zero, Turismo de trekking. Solicitei algumas propostas, obtive uma primeira solução mas que requeria um investimento muito alto. Por essa razão acabei por recorrer à Joana Beirão, já a conhecia pessoalmente e às suas competências na área da decoração. Quando a contactei ela revelou interesse e disponibilidade mental para entrar no processo e demonstrou conhecimento nas novas tendências do Turismo.

A primeira grande alteração no Empreendimento foi a cor da pintura de fachadas. Essa alteração foi fundamentada com base em quê? 
Cereja com marca principal da região e o facto da Quinta do Anjo da Guarda ter uma área de árvores de fruto, incluíndo Cerejeiras.

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O restaurante Papo D’Anjo foi o primeiro equipamento que remodelaram, dentro do conjunto dos imóveis que as Casas de Alpedrinha oferecem. Fale-nos um pouco sobre o desenrolar do processo do projecto de decoração, a escolha final do chefe e finalização dos detalhes.
Sim o Restaurante Papo d’ Anjo foi o primeiro equipamento alvo de remodelação e a entrar em funcionamento. 

Achamos que o Restaurante era um bom local para reações públicas e como tal deveria estar a funcionar logo que possível. Sabíamos também que era a proposta de valor mais difícil de implementar e rentabilizar e quisemos começar por aí. A decoração do Papo d’ Anjo foi um processo muito condicionado ao espaço existente e algum mobiliário existente que queríamos preservar, nomeadamente as cadeira e mesas que constituíam artesanato da região - verga de Gonçalo. A partir daí e após a escolha do Chef e ementa, concretizámos os pormenores finais. O Chef veio de Paraty, que é uma Vila Turística no estado do Rio de Janeiro, onde eu vivi uns tempos.
Em Paraty há óptimos restaurantes, enumeras pousadas e gente com bom gosto.

É o caso do nosso Chef Luciano e da sua esposa, ele era dono do seu restaurante - o Via Marine, que por sinal era dos melhores da cidade e a sua esposa por coincidência, é decoradora. Tudo acabou por ser muito natural e fácil. Como curiosidade, no Via Marine, o Luciano tinha um prato de arroz com pato. Achei muito curioso pelo nome e pela variante do sabor relativamente ao nosso tradicional arroz de pato, pelo que esse foi o primeiro prato a entrar no menu do Papo d'Anjo.

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Acabou por orientar todo o projecto para um conceito de Heritage. Pode especificar exactamente como orientou a nova equipa?
Eu queria encontrar um conceito ligado à Vila de Alpedrinha por razões de proximidade e muitas relações históricas e sociais. Muitas famílias de Alpedrinha tinham trabalhado na construção do Empreendimento e vivido intensamente a fase da construção do Campo de Hóquei em Patins e da Piscina.

Demorámos algum tempo a amadurecer e sentir o que realmente queríamos. Inicialmente orientámos a projecção do projecto e do seu conceito na existência do pomar e da fruta no terreno da Quinta, mas posteriormente, após algum amadurecimento e vivência no local, acabámos por nos ligar mais ao conceito do heritage que a vila apresenta, espelhado num Património Cultural riquíssimo plasmado nas construções da vila. Após validado o conforto numa fase inicial do projecto acabámos por introduzir apontamento gráficos do património construído da vila equilibradamente, uma vez que quisemos manter as 10 como Casas de Campo sem características de Casas de Quinta, que não têm.

Aliás, esse foi sempre o ponto mais difícil de "dominar", estar numa Quinta mas sem casas típicas de Quinta. Sempre quisemos valorizar mais o ambiente exterior, que é muito imponente, mas acho que acabámos por introduzir muita elegância e design, ao conjunto das casas que não apresentavam uma arquitectura por aí além...

De onde surgiu o nome do empreendimento?

A Joana Beirão teve o rasgo de propor o nome CASAS DE ALPEDRINHA que veio a revelar-se muito ajustado, o logo inspirado no bojardado manual das pedras dos muros da quinta e a ligação a Alpedrinha. Havia e há que colocar Alpedrinha no mapa e devolver a esta vila o destaque no turismo que merece. Estamos a falar da “Sintra da Beira”, uma vila cheia de histórias para contar e com um “saber receber” no seu ADN. Um vila que resiste ao abandono do interior e que pode ser um exemplo a seguir por outras regiões do País. A forma utilizámos para pensarmos o projecto, tem muito que ver com a conhecida frase “pensar global, agir local”.